O Cenário Atual dos Compactos: Das Opções Mais Acessíveis no Brasil ao Renascimento do Renault 5 na Europa

O Cenário Atual dos Compactos: Das Opções Mais Acessíveis no Brasil ao Renascimento do Renault 5 na Europa

23 Janeiro 2026 Não Por Sandra Martins

O mercado automotivo brasileiro atravessa um momento em que a definição de “carro popular” foi ressignificada pelos novos patamares de preços. Para o consumidor que busca um veículo zero quilômetro, as opções abaixo de R$ 80 mil tornaram-se escassas, restringindo-se a modelos de entrada focados na essencialidade e na economia de combustível.

A Disputa Abaixo de R$ 80 Mil

No topo da lista de acessibilidade em 2024, a Fiat e a Renault travam uma batalha acirrada pelo posto de carro mais barato do país. O Fiat Mobi, na versão 1.0 Like, assume a liderança com o preço de R$ 72.990. Equipado com um motor de 74 cv e câmbio manual, o subcompacto italiano aposta na robustez urbana para atrair compradores.

Logo em seguida, com uma diferença mínima de preço, aparece o Renault Kwid 1.0 Zen. Custando R$ 73.640, o modelo entrega 71 cv e mantém a proposta de ser um veículo estritamente urbano e econômico. Fechando este primeiro escalão, o Citroën C3 1.0 Live surge como uma alternativa ligeiramente maior e mais potente, custando R$ 74.790 e oferecendo 75 cv, tentando se posicionar como um hatch de entrada com um pouco mais de presença.

Intermediários até R$ 90 Mil

Ao subirmos ligeiramente o teto orçamentário, o leque de opções se expande para hatches mais consolidados, todos mantendo a motorização 1.0 aspirada e transmissão manual. A Renault volta a aparecer com o Sandero 1.0 Stepway Zen, tabelado em R$ 84.470. Com 82 cv, ele apela para a estética aventureira que agrada ao público local.

A concorrência, no entanto, é forte. O Fiat Argo 1.0 (R$ 84.990) e o Hyundai HB20 1.0 Sense Plus (R$ 88.990) oferecem projetos mais modernos e listas de equipamentos competitivas. O segmento ainda conta com pesos-pesados como o Chevrolet Onix e o Volkswagen Polo Robust, ambos custando R$ 89.290. Enquanto o Onix aposta na eficiência de seu motor de 82 cv, o Polo foca na durabilidade, entregando 84 cv.

Superando a barreira dos R$ 90 mil, encontramos modelos que buscam entregar um diferencial estético ou de espaço, como o Peugeot 208 1.0 Like (R$ 91.990), reconhecido pelo design arrojado, e o Fiat Cronos 1.0 Drive (R$ 93.990), que atende à demanda por sedãs compactos com bom porta-malas.

Enquanto isso, na Europa: A Vida Real com o Novo Renault 5

Enquanto o mercado brasileiro foca na racionalidade dos motores a combustão, a Renault demonstra na Europa que ainda domina a arte de criar carros urbanos ágeis, agora na era elétrica. A experiência de longa duração com o novo Renault 5 comprova que a marca francesa mantém seu DNA. O carro dirige melhor do que o necessário para sua categoria, é extremamente confortável e surpreendentemente eficiente.

Mesmo enfrentando uma onda de frio recente, a eficiência média se manteve em patamares aceitáveis (cerca de 3,6 milhas por kWh), um número respeitável considerando que se trata da versão intermediária “Techno”, sem aquecimento de bancos ou volante, o que obriga o uso constante do aquecedor principal da cabine.

Personalização e Praticidade Urbana

Para tornar a experiência com o R5 ainda mais autêntica — e talvez um pouco mais parisiense —, algumas modificações foram feitas no veículo de teste. Além da instalação do curioso suporte para baguetes, houve uma decisão técnica e estética importante: a troca das rodas de liga leve por rodas de aço.

No Reino Unido, o mercado tende a valorizar rodas de liga leve brilhantes, geralmente de 18 polegadas. Contudo, para um carro urbano que enfrenta balizas constantes e ruas estreitas, essas rodas são vulneráveis a danos e caras para reparar. Na França, a abordagem é mais pragmática: é possível adquirir o carro com grandes rodas de aço pretas (os populares “rodões de ferro”), independentemente da motorização.

A equipe da Renault no Reino Unido aceitou o pedido para “afrancesar” a especificação do carro. A troca foi simples e revelou que as rodas de aço, equipadas com pneus Continental, fazem mais sentido para o uso diário. Embora o visual das rodas pretas expostas tenha seu charme básico, foram instaladas as calotas de plástico estilo “turbofan”, que remetem ao clássico Renault 5 Turbo 2. O design casou perfeitamente com a proposta retrô do modelo, realçando os para-lamas alargados.

Outro detalhe que adicionou personalidade ao interior foi o “e-pop shifter”. Trata-se de uma capa plástica para o seletor de marchas, que custa cerca de 30 libras e traz um gráfico divertido “WT5”. Embora o seletor original seja um pouco estranho de manusear, a personalização — que é facilmente trocada com uma chave de fenda — trouxe um toque de humor necessário ao painel. Essa experiência reforça que, seja com um Kwid no Brasil ou um elétrico retrô na Europa, a essência de um bom carro urbano reside na praticidade e na capacidade de adaptação ao cotidiano.