Scheffler incendeia o início da temporada de 2026 no American Express, mas Min Woo Lee lidera no começo

Scheffler incendeia o início da temporada de 2026 no American Express, mas Min Woo Lee lidera no começo

23 Janeiro 2026 Não Por Adriano Souza

O calendário pode até ter virado para um novo ano, mas Scottie Scheffler continua exatamente onde parou, demonstrando que a mudança de data pouco afetou seu desempenho dominante. Impedido de jogar o American Express na temporada passada devido a uma lesão na mão sofrida no final da offseason, o número 1 do mundo retornou a Palm Springs, na Califórnia, determinado a iniciar sua campanha sem contratempos. E foi exatamente isso que ele fez.

Scheffler abriu os trabalhos com uma volta impressionante de 63 tacadas (9 abaixo do par) no La Quinta Country Club, posicionando-se apenas uma tacada atrás dos líderes Min Woo Lee e Pierceson Coody, que dispararam voltas de 62 (10 abaixo) no Nicklaus Tournament Course. Para Scheffler, esse 63 representa sua melhor marca na história do torneio, onde ele busca seu primeiro título em sua sexta aparição no evento.

Mentalidade ofensiva e início fulminante

A temporada não poderia ter começado melhor para o quatro vezes Jogador do Ano do PGA Tour. Com birdies nos dois primeiros buracos, o par no buraco 3 foi uma raridade na sua primeira metade do campo, já que ele anotou mais três “círculos” no cartão entre os buracos 4 e 6. Nos primeiros nove buracos, Scheffler teve mais resultados “3” (seis vezes) do que “4” (três vezes), virando o jogo com 30 tacadas.

“Você precisa abordar o jogo mentalmente com a necessidade de fazer birdies. Acredito que colocar-se em posição o máximo de vezes possível para ter chances e embocar alguns putts é o mais importante”, analisou Scheffler. “Se começar a forçar, você ainda pode se meter em problemas. Ainda é golfe, ainda é difícil, acredite ou não, mesmo com pontuações baixas. Você só precisa manter o ritmo.”

Na segunda metade do campo, Scheffler continuou a acertar o centro da face do taco, mesmo com seu driver se comportando de maneira levemente instável. Errando pelo lado correto quando necessário, ele conseguiu acertar todos os greens em regulação até o par-4 do buraco 17, onde — ao estilo clássico de Scheffler — ele embocou de fora (chip-in) para birdie, salvando um buraco que poderia ter sido complicado após ser bloqueado por árvores.

Condições perfeitas e a “redoma” do deserto

Os jogadores foram brindados com as condições ideais esperadas no deserto da Califórnia, com clima agradável e praticamente nenhum vento. Vince Whaley, que anotou um 63 no campo Nicklaus, resumiu bem a sensação dos atletas: “É quase como chegar a uma redoma. Quase não tem vento, o gramado é perfeito, os campos são impecáveis e é um ótimo teste para checar onde está seu jogo em condições muito benignas. Porque se você não consegue bater um ferro 6 bem aqui, não vai bater bem em lugar nenhum”.

Essa facilidade se refletiu no placar geral. Nove jogadores terminaram com 63 tacadas, incluindo Ben Griffin e Patrick Cantlay, e outros oito marcaram 64.

Líderes e destaques do pelotão

Enquanto Scheffler brilhava no La Quinta, a liderança ficou com Min Woo Lee e Pierceson Coody no Nicklaus Tournament Course. Lee, que venceu em Houston na temporada passada, superou um período de baixa e retornou com força total. O australiano creditou o sucesso inicial a um pequeno ajuste técnico feito na offseason, deixando a pegada da mão esquerda ligeiramente mais forte. “Havia um pouco de ansiedade no início, primeira rodada do ano… mas foi um grande dia para fazer birdies”, disse Lee, que anotou 10 birdies e nenhum bogey. Coody também teve um dia iluminado, com sete birdies consecutivos na segunda metade do campo.

Outro nome que chamou a atenção foi Robert MacIntyre. O escocês, que não estava nada satisfeito com seu jogo na semana anterior no Sony Open — chegando a quebrar seu putter no joelho —, entrou em campo com nova atitude e equipamento. O resultado foi um cartão com 10 birdies e apenas um erro. “O jogo com os wedges precisava ser ajustado. Eu não estava colocando a bola perto o suficiente. Hoje e na semana passada os sinais foram muito bons”, comentou MacIntyre.

O desafio do Stadium Course

Para a sexta-feira, Scheffler segue para o Nicklaus Tournament Course, onde a maioria dos líderes jogou na quinta-feira. No entanto, o grande teste do torneio provou ser o Stadium Course. Enquanto os outros dois campos permitiram médias de pontuação baixíssimas, o Stadium foi o responsável pela maior dificuldade do dia, com greens firmes que dificultavam a aproximação da bandeira.

Ainda assim, Jason Day provou estar à altura do desafio. O australiano assinou um cartão de 63 (9 abaixo) no Stadium Course, liderando o campo na estatística de strokes-gained. “Os ferros pareciam ótimos, o jogo curto estava bom e eu pattei muito bem hoje”, disse Day, que estreou um novo conjunto de ferros Avoda este ano.

Com Rickie Fowler retornando após cinco meses sem competir e sentindo-se bem fisicamente apesar de alguns erros, e um pelotão de elite separado por poucas tacadas, o American Express promete uma disputa acirrada. Como alertou Scheffler, em torneios onde os placares são “loucamente baixos”, quem fica para trás tem muito mais dificuldade de se recuperar. A consistência será a chave até a rodada final no domingo.