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Política

O MBL pode estar caindo na armadilha do Gradualismo?

Murray Rothbard, em seu Manifesto Libertário, fala sobre algumas maneiras de se chegar no libertarianismo total, e idealmente devem ser feitas revoluções, pequenas e grandes, para que a liberdade prevaleça na sociedade, e no contexto ele afirma que qualquer passo na direção da liberdade, por menor que seja, é vantajosa ao movimento, ele diz que uma redução de 2% de certo imposto já é uma vantagem para a liberdade.
O autor porém adverte que é perigoso para um indivíduo dar passos pequenos, pois quando uma alteração pequena é feita quando se há possibilidade de haver diminuição drástica do estado, o executor e os defensores da ideia estão admitindo serem contra a liberdade. As pessoas acabam dando passos menores quando podem dar passos maiores por quê esquecem do real objetivo de ser libertário.
Para exemplificar, Rothbard dá o exemplo da escravidão: se você defende a abolição da escravidão, porém só daqui 10 anos, por qualquer motivo que, talvez, seja até coerente, você está automaticamente admitindo que é a favor da escravidão durante 10 anos. Isso se traduz em: se você pode abolir a escravidão hoje e não faz, está contra os princípios básicos da ética Libertária, que respeita a vida e a liberdade individual acima de tudo.
Isso pode se aplicar a toda coerção estatal, da esfera tributária, social e econômica.
Posto isso, chega-se ao tema: Recentemente integrantes do Movimento Brasil Livre deram declarações que me intrigaram. Em resumo, eles apoiaram impostos em certas áreas para, em nome do estado mínimo, a população ter serviços “gratuitos”, sendo que a própria ideia de imposto, algo coercitivo e violento, não se alinha com a liberdade, não importa a maquiagem que se coloque.
A ideia apresentada no início do texto é a do Gradualismo, que defende que a liberdade deve ser aumentada gradualmente até que, um dia quem sabe, o estado deixe de existir. Uma das grandes falhas do gradualismo, como já apresentada, é que a pessoa se foca tanto na militância de pequenas causas que esquece seu objetivo principal, que é o fim do estado.
Os “Liberteens” podem ser visualizados muito bem como os Libertários Extremistas que Rothbard também cita e crítica: Quando a pessoa fica tão fanática na ideia abolicionista que esquece que tudo não muda de uma hora para a outra, e isso faz a pessoa a se opor a pequenas revoluções.
Antes de concluir é importante que se perceba que a mudança é diferente em vários setores, para os liberários, o ideal é a revolução sim, porém os danos de uma abolição repentina do estado são grandes, e para minimizar esses danos são adotadas medidas gradualistas, um exemplo que poderia ser citado é o da Previdência Social Brasileira, onde sua abolição repentina pode resultar em várias pessoas idosas passando necessidades, claro que essa conclusão ignora a ação humana e há chances de estar errada e sim, caso esteja, a abolição da previdência seja boa caso repentina. Na mesma linha, algumas instituições são tão prejudiciais que vale a pena arcar com todas as consequências de sua abolição repentina em vista dos problemas que ela causa atualmente, um exemplo disso é o Departamento de Trânsito Brasileiro, que impede muitos cidadãos de terem certos bens relacionados transporte por fazer suas licenças de direção muito caras e difundir uma indústria da multa forma infame.
Para resumir, os Gradualistas pedem menos estado, porém de forma lenta e acabam esquecendo que o estado deve acabar um dia, e os Fanáticos pedem nada de estado, e se a mudança não for radical, eles preferem as coisas como estão, e acabam nunca saindo do lugar.
Leitura Recomendada:
“Contra o Gradualismo”, Disponível em: https://rothbardbrasil.com/contra-o-gradualismo/. Acesso em 12/12/2018
Fontes:
Esclarecimento de Arthur do Val, Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=jlpLgRukdH4&t=523s. Acesso em 28/11/2018.
O Manifesto Libertário (Capítulo 15), Disponível em: https://rothbardbrasil.com/wp-content/uploads/arquivos/manifestolibertario.pdf. Acesso em 11/12/2018.
Leitura obrigatória